Ubatuba vive um desequilíbrio econômico que já se tornou parte da rotina dos moradores: a cidade se sustenta na temporada, mas encara forte queda de empregos e renda quando o movimento turístico diminui. Dados recentes mostram que essa realidade não é impressão — é fato.
Emprego formal cresce no verão, mas despenca depois
Segundo dados do Novo Caged, Ubatuba sempre apresenta salto no número de contratações entre novembro e fevereiro, impulsionado principalmente por hotéis, restaurantes, bares, quiosques e comércio.
Mas a realidade muda rapidamente depois do Carnaval.
Essa oscilação trava o crescimento da cidade e dificulta a vida de quem precisa de estabilidade para pagar aluguel, organizar as contas e sustentar a família.
Renda e mercado de trabalho ainda são frágeis
Estudos econômicos revelam que Ubatuba possui cerca de 22 mil empregos formais, com salário médio em torno de R$ 2.500, valor abaixo da média estadual.
Os setores que mais empregam são:
administração pública,
supermercados,
hotéis,
comércio varejista.
Ou seja, quase toda a economia formal depende direta ou indiretamente do turismo — ou do próprio poder público.
Além disso:
60% da população trabalhadora está nas classes D e E, com baixa renda;
apenas 13% se enquadra em faixas de maior poder aquisitivo;
grande parcela dos moradores vive de trabalhos informais ou sazonais.
Turismo de baixa temporada cresce — mas ainda é pouco
Apesar da dependência do verão, Ubatuba tem mostrado sinais positivos:
O setor está mudando, mas Ubatuba ainda não aproveita todo esse potencial. Falta planejamento público, eventos constantes, incentivos ao ecoturismo e ao turismo cultural, além de qualificação contínua para trabalhadores locais.
O que Ubatuba precisa fazer para quebrar esse ciclo?
Especialistas defendem ações práticas:
Criar roteiros turísticos permanentes de trilhas, cachoeiras, história e cultura caiçara.
Promover eventos mensais — de música, gastronomia, surf, corrida, festivais escolares.
Qualificar trabalhadores com cursos de hotelaria, atendimento, Inglês, marketing e empreendedorismo.
Incentivar pequenos negócios com crédito, feiras e compras públicas.
Diversificar a economia além do turismo, atraindo setores como tecnologia, serviços remotos e economia criativa.
O desafio não é só econômico — é social
famílias vivem meses sem renda fixa;
muitos jovens deixam a cidade por falta de oportunidades;
trabalhadores fazem bicos até dezembro chegar;
aluguel e custo de vida sobem no verão e esmagam quem mora o ano inteiro.
Enquanto isso, moradores reclamam que “Ubatuba só existe no verão” — e no restante do ano enfrenta comércio vazio, serviços reduzidos e falta de políticas públicas de longo prazo.
Os dados mostram que Ubatuba tem potencial real para ser uma cidade sustentável em 12 meses, não apenas em três.
Mas isso exige:
gestão pública planejada,
parceria com o setor privado,
investimentos em qualificação,
eventos permanentes,
diversificação econômica.
Ubatuba tem natureza, história, cultura e gente trabalhadora para mudar esse cenário.
O que falta é vontade política e estratégia.

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