A 8 quilômetros do continente e a 213 quilômetros de São
Paulo, a Ilha Anchieta, em Ubatuba,
no litoral norte paulista, esconde ruínas de um lugar que já foi palco de uma
das maiores rebeliões já registradas no país: um presídio.
Desativado oficialmente em 1955, as ruínas do presídio da
Ilha Anchieta passam por uma restauração há mais de 1 ano. O local registrou a
segunda maior rebelião do país, atrás do Carandiru, em 1992.
O prazo para a entrega da restauração das ruínas no local
foi estendido pela Fundação Florestal, responsável pelas obras. O prazo
anterior era até junho deste ano, mas, segundo a Fundação, a entrega ficará
para 2026
A previsão para a entrega das obras é em abril do próximo
ano. O motivo do atraso, segundo o órgão, é que, durante os trabalhos,
"foi identificada instabilidade nas paredes, o que exigiu reforço nas
fundações e na estrutura para contenção das ruínas".
Com isso, a expectativa é que, nos próximos meses, os
serviços relacionados à contenção das paredes e das estruturas sejam
concluídos.
Além de atrasar as obras, a instabilidade citada pela
Fundação Florestal fez com que o valor gasto pelo governo estadual para a
restauração das ruínas do presídio aumentasse.
Segundo a Semil, o valor inicial da obra era de R$ 4,565
milhões, mas foi reduzido para R$ 4,282 mi antes do novo valor de R$ 6,469
milhões.
Até o começo do ano, segundo a Secretaria de Meio Ambiente,
Infraestrutura e Logística (Semil), haviam sido realizados estudos técnicos,
projetos executivos, limpeza e recuperação das estruturas e implementação de
escoramentos provisórios, além de reforços estruturais necessários.
Para visitar o local, é cobrada uma taxa de R$ 19 para
brasileiros, R$ 28 para estrangeiros do Mercosul e R$ 37 para demais
estrangeiros.
Presídio da Ilha Anchieta, em
Ubatuba, passa por restauração — Foto: Divulgação/Semil
A
rebelião
Foi em 1952 que o presídio da Ilha Anchieta vivenciou uma das maiores
rebeliões já registradas no país. Na ocasião, 129 detentos conseguiram fugir do
local.
A segurança era feita por 49 militares da Força Pública, que serviam no
Destacamento 314, responsável pela Ilha Anchieta, e respondiam ao 5º Batalhão
de Caçadores de Taubaté (atual 5º Batalhão da Polícia Militar).
Além dos militares, 22 guardas de presídio faziam a vigia dos pavilhões.
No entanto, os vigias não tinham a autorização para portarem arma de fogo. Além
de ser um local isolado, quente e úmido, há relatos de torturas que aconteciam
com os detentos por parte da direção.



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