De acordo com a Agência Brasil, uma pesquisa, publicada em 2023 na revista científica The Lancet, aponta que a maioria das vítimas são homens jovens. Entre os principais fatores associados ao adoecimento mental estão o avanço do garimpo ilegal, a invasão de territórios tradicionais, a degradação ambiental e a ruptura de vínculos culturais.
Na região da Serra da Bocaina, que abrange áreas do litoral norte de São Paulo, o aumento de casos de suicídio entre jovens indígenas despertou a preocupação de lideranças do povo Guarani Mbya. Diante desse cenário, foi criado o projeto Bem-Viver, uma iniciativa de intervenção em saúde mental.
O projeto atua em territórios indígenas localizados em Ubatuba, Paraty e Angra dos Reis, integrando práticas da saúde coletiva com saberes tradicionais. As ações envolvem lideranças espirituais, rezadores e pajés de diferentes aldeias, além de atividades voltadas ao fortalecimento emocional da juventude.
Em Ubatuba, comunidades relatam impactos significativos provocados pelo crescimento do turismo, pela expansão imobiliária e pressão sobre áreas consideradas sagradas. A aproximação de condomínios, a atuação de madeireiros e o desrespeito a locais tradicionais, como cachoeiras e áreas de mata, têm contribuído para o sofrimento emocional e a sensação de perda territorial. Além disso, o racismo enfrentado no cotidiano também agrava a vulnerabilidade mental.
Atualmente, cerca de 2,5 mil indígenas são atendidos pelo projeto Bem-Viver, que destaca a preservação do território, da cultura e dos modos de vida tradicionais como elementos fundamentais para a promoção da saúde mental.
RADIO COSTA AZUL FM

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