As velas, brancas como gaivotas em revoada, foram içadas lentamente, como um adeus silencioso ao porto que tantas vezes o acolheu. O Mestre do Mar, com o olhar perdido no horizonte, sabia que aquela partida não era apenas mais uma viagem. Não, seus cabelos brancos e as rugas marcadas pelo sol e pelo sal contavam histórias de tempestades superadas e calmas que embalaram a alma. O mar, sua eterna amante e confidente, chamava-o de volta.
Ele sentia o convite em cada brisa salgada, em cada onda que beijava a proa. Não havia tristeza, apenas a serena aceitação do inevitável. Sua embarcação, um pedaço dele mesmo, deslizou suavemente pelas águas, deixando para trás o burburinho da terra firme e as amarras que um dia o prenderam.
No horizonte, onde o azul do céu se fundia com o azul profundo do oceano, a silhueta do Mestre do Mar e seu barco se tornaram um ponto distante, até desaparecerem por completo. Não se sabia para onde ele ia, nem se um dia voltaria. Mas uma coisa era certa: o mar o havia levado de volta para casa, e sua lenda viveria em cada marujo que um dia ousasse seguir o caminho das estrelas e das correntes, honrando a memória daquele que foi um verdadeiro Mestre do Mar.
Nota : Meus sinceros sentimentos a todos familiares do Mestre Adélio Pinto que sofrem neste momento tão triste.
Texto e imagem Guinho Caiçara
Via facebook
Comentários
Postar um comentário