Uma bactéria marinha encontrada em Ubatuba está no centro de uma inovação desenvolvida na Unesp que une geração de energia limpa e benefícios ambientais. A engenheira Giulia Castro utilizou a cianobactéria Synechocystis pevalekii para criar uma célula biofotovoltaica capaz de produzir eletricidade a partir da fotossíntese.
De acordo com o projeto, durante o processo natural, a bactéria libera elétrons captados por eletrodos de cobre e zinco, gerando corrente elétrica. O protótipo alcançou cerca de 227 miliwatts por metro quadrado em testes laboratoriais e já teve patente depositada no INPI.
Além da produção de energia, o sistema também realiza captura de dióxido de carbono e libera oxigênio, reproduzindo um ciclo semelhante ao das plantas. Em testes com luz artificial e solar, o desempenho manteve estabilidade, com variação mínima entre 215 e 227 mW/m².
A tecnologia ainda não substitui fontes convencionais, mas se destaca para aplicações em sensores ambientais, monitoramento de áreas remotas e dispositivos de baixo consumo, onde baterias convencionais são limitadas ou inviáveis.
A bactéria foi coletada em Ubatuba e integra uma coleção da USP. O projeto levou cerca de dois anos de desenvolvimento e reúne áreas como biologia, engenharia e química.
Segundo os pesquisadores, o sistema pode contribuir para a redução de emissões de carbono ao utilizar organismos vivos que absorvem CO₂ durante seu metabolismo. Em escala ampliada, o cultivo de cianobactérias poderia auxiliar em metas ambientais e créditos de carbono.
A inovação também se destaca pelo baixo custo dos materiais utilizados e pelo caráter sustentável do processo, que não exige combustíveis fósseis. O estudo abre caminho para novas soluções energéticas baseadas em organismos vivos encontrados no ambiente marinho brasileiro.
A proposta foi desenvolvida ao longo de 18 meses. A patente foi submetida ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), sendo devidamente depositada.
RADIO COSTA AZUL FM

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